O título do livro já é bastante interessante; dá a ideia de bilhetes, fotos e desenhos pregados na porta da geladeira e é exatamente assim que a história é contada.
Claire tem 15 anos e mora com sua mãe que é médica. Seus pais estão divorciados e a correria do trabalho da mãe a impede de cuidar da rotina da casa e de acompanhar o crescimento da filha. Assim, elas se comunicam através de recados.
A falta do contato pessoal faz com que os bilhetes não se limitem apenas a um pedido para ir ao supermercado ou um lembrete de "não se esqueça". Nos papeizinhos há confissões, brigas, pedidos, declarações de carinho e apoio. É triste a percepção que Claire tem da ausência da mãe e também da mãe que se sente culpada pelo distanciamento e responsabilidade dirigida a filha.
Os recados são expressivos, com uso da caixa alta em algumas palavras para realçar sua intensidade como uma frase gritada ou um lamento. As conversas tornam-se delicadas quando por um bilhete Claire descobre a doença da mãe. Elas então trocam mensagens de dor e apoio. Os conflitos da adolescência também são assunto nos recados e se não fosse o fato de serem compartilhados através de um pedaço de papel ,seria uma história como muitas outras. O diferencial de A Vida Na Porta Da Geladeira está no sentimento que nos toma da forma como se dá a relação entre elas. E que se valha a coincidência de uma relação entre mãe e filha ser tão fria quanto o ambiente atrás da porta do cenário na história. Um trocadilho da autora?
A relação desta família nos faz refletir sobre como, às vezes, estamos tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes uns dos outros. Quanto tempo sua família passa junta, em uma atividade saudável e rica como uma conversa, um passeio, um jogo...? Imagine não ter tempo para conversar com seus familiares e receber notícias importantes por recados? Que valor você dá ao tempo que dispõe com as pessoas que são importantes para você? Você pode se acostumar com este distanciamento e não perceber a falta do contato pele-a-pele. E mesmo quando o encontro se fizer possível, substituí-lo por uma forma impessoal de comunicação. Nossa personagens passam por isto, tente perceber durante a leitura.
A velocidade com que passam o dia somada aos compromissos nos leva ao distanciamento e o tempo que dispomos para estar junto é cada vez menor. Triste, comovente, insensível?
Leia, tire suas conclusões, faça suas reflexões e repense a dedicação para com as pessoas que lhe são queridas.
Bárbara Leilane - Auxiliar da tarde

