A Revolução dos Bichos, de George Orwell (1903-1950), é o livro que
mais impressionou o ex-morador de rua Robson Mendonça, 60, gaúcho de
Alegrete.
Por gostar de ler, e não poder pegar nada emprestado de bibliotecas
públicas por não ter comprovante de endereço, ele tinha um sonho.
Quando melhorasse de vida, criaria uma biblioteca só para pessoas da
rua.
Ontem, em pleno Marco Zero da capital paulista, na praça da Sé, lá
estava ela. A bicicloteca -uma bicicleta equipada com um baú atrás com
centenas de livro dentro- fez a sua estreia.
"Até agora [por volta das 15h] 80 livros foram retirados", diz
Mendonça, exibindo a lista de nomes escritos à mão em um caderno. Quem
pega um livro tem duas opções: ou passa adiante para quem quiser ler,
ou devolve para a bicicleta.
Todo acervo do projeto, bancado exclusivamente por parceiros
privados, é fruto de doações. No baú, títulos de Truman Capote, Lima
Barreto e Graciliano Ramos.
Mendonça conta que perdeu a mulher e dois filhos em um acidente.
Essa foi uma das causas que o levou para a rua, onde permaneceu por
seis anos, até 2003.
"Perdi tudo após um golpe. Com documentos falsos, levaram o que
tinha na conta do PIS/PASESP", diz. Hoje, ele dirige uma ONG para
pessoas das ruas. "Atendemos 380 desde janeiro".
Os Auxiliares.